Blog virou livro

Este blog, que mantive no ar por quase dez meses, virou livro, também chamado Chapada das Mulatas, em homenagem à história de Chapadinha/MA, objeto das minhas análises. A idéia de começar a postar num blog surgiu da necessidade e predisposição pessoal em expressar minhas idéias acerca dos lugares onde moro. Assim foi em Novo Hamburgo, onde comecei a escrever crônicas na extinta Folha. Depois em Cachoeira do Sul, no jornal O Correio.

Quando cheguei em Chapadinha, deparei-me com a inexistência de jornais impressos. Dai a idéia de abrir um blog e começar a analisar o cotidiano da cidade, em seus mais variados aspectos: cultura, política, infra-estrutura urbana, etc.

Diferente de crônicas escritas semanalmente, postar textos num blog exige um esforço homérico, pois quem lê quer sempre algo novo, diariamente. E ter o que escrever todo dia é complicado, ainda mais numa cidade do porte de Chapadinha. A necessidade de escrever diariamente pode comprometer a análise, levada a ser superficial ou mesmo equivocada.

Outra questão importante é a diferença que sempre vi como necessária, aliás, fundamental para quem escreve: a de não ferir a dignidade da pessoa ou entidades objetos da análise. Isso sempre foi muito claro para mim. Direcionar a crítica para fatos, com base em sólidos argumentos, não em palavras vazias de conteúdos, superficiais.

Este foi o maior choque que tive aqui em Chapadinha. Quem escreve, não quer debater, mas atacar, pois sempre está comprometido com uma ou outra agremiação política. Ou ataca ferozmente ou é “chapa branca”, enaltecendo os atos mais estapafúrdios. E parece que muitos dos leitores daqui querem isso mesmo!

Há uma frase famosa, que teria sido dita por Ernesto Che Guevara: Endurecer, pero sin perder la ternura jamás. Numa livre tradução, há de ser duro, mas sem nunca perder a ternura. Não sei se era isso que ele queria quando proferiu a tal frase, mas eu entendo que temos o dever, como cidadãos, de apontar as dificuldades do lugar onde vivemos (sermos duros). Nem por isso temos o direito de ofender a honra de quem quer que seja (faltar-nos ternura).

Suspendi as postagens no blog por entender que faltava o respeito dessa tênue linha entre crítica e ataque à pessoa. Outra razão é porque era tido por prepotente quando criticava questões sobre o convívio comunitário. Quando criei o blog, tinha intuito de apontar e debater sobre o que julgava necessário ser falado mas não era, numa legítima tirania do pensamento único.

Para não deixar que estas análises cotidianas se perdessem, reuni algumas delas no livro. Selecionei as que julguei pertinentes. Que sirvam como semente em meio a terra árida, de modo a mudar as mentalidades locais, fazendo avançar rumo a uma sociedade igualitariamente mais justa, mais fraterna e, acima de tudo, mais aberta.

Quem quiser cópia, basta acessar:

arquivos\Livros\9788590542681.pdf

http://dominiopublico.mec.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=88448

Jeferson Selbach, Sociólogo, Professor da UFMA/Chapadinha